Os criadores de um gênero de rock, disseram que chegou o fim. A última turnê da banda que chamará "The End” começa em janeiro. Pode até soar como uma forma triste de despedida dos criadores do metal pesado, mas o quarteto britânico está marchando em direção ao final de uma carreira que durou quase meio século.
Com Ozzy Osbourne entrando e saindo de clinicas
de reabilitação ao longo de décadas, o baterista Bill Ward em processo desde 2012
por disputa de royalties e o guitarrista Tony Iommi lutando contra o câncer, seria
muito dificil que a banda continuasse na estrada. Recentemente Iommi declarou a
Rolling Stone “Eu realmente não possomais fazer isso, meu corpo não aguentará
muito mais”.
Apesar de seu som grande nunca foram
considerados deuses como Led Zeppelin ou The Rolling Stones, os queridinhos dos críticos da época, pelo contrário, os criticos sempre torceram o nariz quando o
assunto era o Black Sabbath. Osbourne, Iommi, Ward e o baixista Geezer Butler formaram
uma banda em uma das cidades mais pobres da Inglaterra e sempre tiveram ligação
forte com o seu público, e certa distancia com as estrelas do rock Jet-set.
O Rocknroll era uma tábua de salvação para os
quatro rapazes de Birmingham, Inglaterra. A cidade industrial triste oferecia
poucas opções: trabalhar em uma fábrica ou fazer parte de uma das gangues de meninos
carentes, que viviam de pequenos roubos. Osbourne sofria de transtorno de
déficit de atenção e dislexia, e por isso nunca foi um aluno bom o suficiente
para ultrapassar as fronteiras rígidas da classe trabalhadora.
Black Sabbath foi espelhado nesse mundo sem saída, escuro e sinistro, criando riffs de guitarra pesado, triste e com letras de horror visto nos filmes. Surgia ai um estilo novo e um som diferente de tudo que acontecia no meio musical.
A primeira música do primeiro álbum Black Sabbath há 45 anos, é considerada a primeira canção de Heavy Metal da história. Vários críticos e grupos religiosos já acusaram a música de satânica por sua atmosfera extremamente sombria, além de sua letra, que é confundida como apologia ao demônio. A música tem um inicio sinistro com chuva, trovão e um sino de prenuncio funeral, e Ozzy estremece: "Que é isso que está diante de mim / Figura em preto que aponta para mim”.
A
música foi inspirada por um filme e uma experiência do baixista e letrista da
banda Geezer Butler, ele relatou a Ozzy que pintou seu apartamento em preto
fosco, colocou vários crucifixos invertidos, colocou quadros de Satanás nas
paredes e na prateleira o livro sobre bruxaria que Ozzy tinha presenteado.
Quando acordou, ele afirma ter visto uma grande figura negra em pé no final de
sua cama. A figura desapareceu e Geezer foi buscar o livro, e ele tinha sumido,
ai ele escreveu a letra da canção, que ganhou um riff de Iommy que criou todo
clima de horror pretendido.
Principal riff de "Black Sabbath". Exemplo de
progressão harmônica com o trítono G-C#
Os quatros primeiros álbuns da banda, é recheado
de faixas clássicas como, Iron Man, Paranoid e Supernaut, que construiu a formação do Heavy Metal.
A perseguição pela banda teve um capítulo que
foi publicado no livro Guia Rolling Stone Album, que declarou que o som da
banda era: "entediado, sem qualidade, desajeitado, sem alma, muito amplificado
e feio, certamente o rock estaria afundando a um ponto mais baixo com esta
conversa satânica." O reitor auto nomeado de crítico de rock americano,
Robert Christgau, foi igualmente desdenhoso: “Banda cristã ou satanista... é uma
exploração amoral e estúpida”. Mais o que realmente estava por traz desta perseguição era que todas as bandas novas partiam para o Blues, com letras falando de amores desfeitos, e o Black Sabbath rompeu com o modelo e começou a falar de coisas não tão agradáveis aos ouvidos dos críticos e donos das gravadoras, a banda lança seu segundo álbum, 'Paranoid' esse álbum foi feito em 4 dias.Devia ser originalmente chamado de "War Pigs", mas com a Guerra do Vietnam prosseguindo além-mar, a companhia gravadora não permitiria.
Os desprezos fez com que aumentasse a ligação do Black Sabbath
com seu publico. Em seu livro Heavy Metal: A Sociologia Cultural, professor de
sociologia Deena Weinstein afirmou que bandas de heavy metal e seus fãs haviam
se tornado o equivalente contemporâneo de leprosos no rock convencional, párias
sociais que havia se tornado "párias orgulhosos" e se aproximavam
para se auto protejer.
A banda vendeu milhões de discos e os ingressos esgotavam com a procura dos jovens que se sentiam igualmente ignorados pela sociedade. O quarteto foi o direcionamento do público que não aderiram nos anos 60 ao paz-amor. Esta foi a geração de baixas expectativas, empregos sugadores de alma e sem futuro, a mesma inspiração que fez surgir Sex Pistols e The Stooges.
As más vibrações continuaram por anos. Como artista solo, Osbourne trouxe a ira de autoridade religiosa e foi descrito como o homem louco que supostamente decapitou morcegos e pombas no palco. A banda se auto-destruiu várias vezes por causa do abuso de drogas, várias formações e disputas internas.
No entanto, eles de alguma forma resistiram e a
banda cresceu. Ao final dos anos 90, o Sabbath ganhou respeito e influenciava varias
bandas de heavy, tais como Metallica, Soundgarden, Kyuss, Pantera e
Electric Wizard. Em 2006 foram introduzidos no RocknRoll Hall of Fame.
Ao longo do caminho em direção à
respeitabilidade, a imagem satanista de Osbourne se transformou em um monstrengo
simpático e um homem de família. Em sua viagem como o Ozzfest, ele despejou
baldes de água na cabeça e colocou rímel escorrendo pelo rosto, enquanto
implorando seus fãs para “Go crazy!”, mas sempre no final de cada show ele diz ao seu publico: "God Bless You". Na série de TV The Osbournes, ele
satirizou a si mesmo e toda a noção do patriarcado. Enquanto as crianças
brigavam, Ozzy colocava as mãos para cima e ia embora resmungando.
O cantor continua a ser o mais autodepreciativo
das divindades do rock, um cara que desafiou todas as expectativas, incluindo as
suas próprias. Quando perguntado há alguns anos sobre quanto tempo mais ele
planejava ficar na estrada, disse: "Eu continuo perguntando a Sharon, quanto
tempo você acha que isso vai continuar?", "E ela diz que vai saber
quando é hora, enquanto lá eu fico obediente e esperando algo acontecer. Isso
significa que eu vou cantar até que eles parem de aparecer para me ver".
Black Sabbath foi perseguido por críticos de
rock em seu auge dos anos 1970. Mas a banda merece o nosso respeito por inventar
o heavy metal, disse Greg Kot a BBC.com.
Este post é uma versão da matéria do Greg Kot que é crítico de música no
Chicago Tribune, e o original pode ser encontrada aqui:



Nenhum comentário:
Postar um comentário